domingo, 28 de outubro de 2012

Gal Costa, Rede Record, São Paulo, festival de música de 1968


Os festivais de música tornaram-se o palco no qual os artistas expressavam seu descontentamento contra a censura e a ditadura.

Greve dos metalúrgicos de São Paulo, assembleia realizada na Rua do Carmo, São Paulo, novembro de 1979


Os trabalhadores tomaram for base parte do movimento sindical, estruturado ainda na breve República Democrática que antecedeu a ditadura, para organizar protestos, manifestações.

Manifestação estudantil - Praça da Sé, São Paulo, junho de 1968


Estudantes por meio de organizações como a (Une), promoveram diversas manifestações contra a ditadura.

Cédulas anti-imperialistas de Cildo Meireles, Zero Dollar, 1978-1984



Negação da moeda dos Estados Unidos, foi feita em função de um protesto rebaixando a força do imperialismo e do domínio estadunidense . 

DOPS (Departamento de Ordem Política e Social)

O termo “DOPS” significa Departamento de Ordem Política e Social, criada para manter o controle do cidadão e vigiar as manifestações políticas na ditadura pós-64 instaurada pelos militares no Brasil. O DOPS perseguia, acima de tudo, as atividades intelectuais, sociais, políticas e partidárias de cunho comunista.
 Entre os anos de 1964 e 1974, em virtude da resistência ao regime militar crescente, a DOPS obteve maior autonomia. A partir do momento em que o Brasil se abriu para o processo de redemocratização, a instituição perdeu atividades e sentido pela sua existência.
 DOPS exercia função de órgão policial, e deixou documentos como ofícios, relatórios, radiogramas e livros que hoje servem como pesquisa histórica e busca de processos judiciais. Há dossiês que discriminam sobre a existência, na época, de eleições sindicais, greves, partidos políticos, atos públicos e outros acontecimentos que eram registrados e vigiados pela DOPS.
 As celas do antigo edifício do DOPS, em São Paulo, onde vários políticos ficaram detidos, foram torturados e mortos, foram transformadas em locações do Museu Imaginário do Povo Brasileiro. O prédio está reformado, o que é criticado por ex-presos políticos da época, pois a reforma apagou todos os traços de resistência e sobrevivência daquele tempo chumbo.


A Era do Rádio


A primeira transmissão radiofônica do Brasil aconteceu em 1922, com um pronunciamento do então presidente, Epitácio Pessoa, e a transmissão da ópera “O Guarani” diretamente do Teatro Municipal no Rio de Janeiro.
 Mas as primeiras radiodifusoras do Brasil inauguraram suas transmissões somente em 1923. Na programação, além dos noticiários, as emissoras começaram a investir na música. Programas eram transmitidos “ao vivo” diretamente dos auditórios, com a participação dos melhores artistas da época. Gradativamente o rádio vai tomando lugar como importante veículo de comunicação e entretenimento da população brasileira. Comerciantes colocavam rádios em seus estabelecimentos “para atrair a freguesia”. Era mais rápido transmitir fatos pelas ondas do rádio do que pelos jornais. Não é exagero dizer que com o rádio a comunicação sofreu uma nova revolução, após a invenção do telégrafo no século XIX.

 Mas é a partir de 1930, com o governo de Getúlio Vargas que o aparelho, no Brasil, tem seu “boom” enquanto instrumento de comunicação de massa. O governo, na época, incentivou o desenvolvimento profissional, técnico e comercial dos profissionais que trabalhavam diretamente nas rádios brasileiras. Mas, ao mesmo tempo que incentivava o desenvolvimento da “indústria do rádio”, o governo censurava aqueles meios de comunicação que eram opositores do regime, principalmente após o golpe de 1937.
O governo Vargas também ficou marcado por uma forte propaganda nacionalista, focando justamente na identidade do povo brasileiro. Portanto, nada mais justo do que valorizar a cultura do país, a maior expressão desta identidade nacional brasileira, propagada pelas ondas do rádio.
 E como o governo incentivava o entretenimento – até mesmo para desviar o foco das críticas – as rádios passaram a contratar artistas para seus programas de auditório, ao invés de só convidá-los para um ou dois programas, ainda mais após a liberação dos “reclames” entre a programação, já que as rádios dependiam dos anunciantes para manter a programação.
 Artistas como Carmen MirandaHeleninha CostaAtaulfo AlvesDolores DuranNelson GonçalvesOrlando SilvaSílvio CaldasAraci de Almeida e Dalva de Oliveira entraram para a história da música brasileira interpretando composições de Lamartine BaboAry Barroso,Braguinha, Joubert de CarvalhoNoel Rosa e Cartola, entre outros. Qualquer pesquisa rápida no Google vai levá-los à composições da época, acho que não é necessário linkar nenhuma música.


Durante as décadas de 1930, 40 e 50, músicas como “Aquarela do Brasil“, “Ave Maria do morro “, “Estatutos da Gafieira“, “Mulata assanhada” e “Carinhoso” cantavam a alegria, as belezas naturais do Brasil, as mazelas, a malandragem do povo brasileiro.
 Junto a isso, no final da década de 1950 inicia-se no Brasil um grande movimento musical: a bossa nova, nascida entre os músicos da classe-média do Rio de Janeiro. Na verdade, a bossa era uma forma diferente de cantar o samba, abusando do violão e do piano em um ritmo mais cadenciado, mas com o tempo a bossa incorporou alguns elementos do jazz norte-americano e acabou virando um ritmo único no mundo, feito por brasileiros e consumido pelo planeta.
 Além do nascimento da bossa nova nos fins de 1950, temos que citar que durante as décadas de 1940 e 1950 o país passou por algumas mudanças importantes. Getúlio, que deixou o poder após o fim da Segunda Guerra, voltou eleito pela população – ele ficou no poder até 1945 após um já citado golpe em 1937. O mundo não estava mais em guerra, o país estava diretamente alinhado com os E.U.A. em sua política externa, mas entre a população e os políticos encontrávamos membros simpatizantes da ideologia comunista, que já polarizava o mundo desde o fim da Segunda Guerra.


Após o suicídio de Getúlio Vargas em 1954, Juscelino Kubitschek – na foto ao lado em uma visita à Radio Nacional – é eleito, e o presidente bossa nova, como era conhecido, mudou a capital do Rio de Janeiro para Brasília, cidade no planalto central projetada e construída para servir de centro governante do país.
 Durante a década de 1950 o Brasil talvez tenha assistido – ou melhor, ouvido! – o ápice do rádio, presente na imensa maioria de lares brasileiros. Assim como hoje em dia a TV influencia opiniões e costumes, na época o rádio ajudava a construir parte desta cultura brasileira.


A MPB e a História do Brasil no século XX


 A MPB ajudou a cunhar grande parte desta identidade, e podemos afirmar isso sem medo de exagerar no julgamento. Além de cultural, a MPB foi, por vezes, instrumento político e ideológico. Em alguns momentos ajudou na propaganda política. Em outros, lutou contra o silêncio imposto pelos governantes. Refletiu mazelas que a população sofria. Expôs feridas. Caracterizou elementos da população. Popularizou costumes e gírias.

dois dos maiores expoentes da música popular brasileira: Pixinguinha e Vinicius. O primeiro, um verdadeiro maestro, um gênio da música instrumental, considerado por muitos o “pai” da música popular brasileira. O segundo foi um grande poeta, compondo canções belíssimas, poemas que até hoje embalam vários casais apaixonados.
Não dá para imaginar a música brasileira sem estes dois ícones, assim como não dá para falar de música no Brasil sem citar um outro elemento importantíssimo para a popularização de vários artistas. Este elemento não era músico. Não compunha, não tocava instrumentos e sequer tinha mãos para tal, pois não era uma pessoa, e sim um objeto, cada vez mais presente nas casas brasileiras a partir da década de 1930: o rádio.